O PERIGO DE PERDER A AMBIÇÃO
O perigo de perder a ambição e como o ambiente pode contribuir para isso.
Cássio Wilborn
9/23/20263 min read


É possivel, e mais comum do que se imagina, que em algum momento da vida, as pessoas podem começar a querer menos.
Não necessariamente porque elas deixam de ter sonhos, mas talvez porque tenham se acostumado com uma rotina que, pouco a pouco, faz eles parecerem distantes demais para serem alcançados.
A ambição costuma ser muito associada ao dinheiro, carreira, status ou conquistas. Mas existe uma ambição muito mais ampla que quero falar aqui: a vontade de viver bem!
Falo sobre a ambição por saúde; ambição em ter tempo; viajar; ler e estudar; estar presente nos momentos de família; ambição em contruir uma casa na qual realmente gosta-se de morar; ambição pela prática de um esporte, de uma atividade; ambição pelo sono de qualidade; em aprender algo novo; ambição por energia para aproveitar os próximos anos.
O problema é que, quando as pessoas se acostumam a viver abaixo daquilo que poderiam realmente viver, isso pode começar a parecer normal.
E é aqui que entra o poder e influência do ambiente.
O ambiente que vivemos, por si só, não determina quem somos. Mas influencia constantemente aquilo que fazemos. Ele cria facilidades, obstáculos, estímulos e distrações.
Vou utilizar um exemplo simples para ilustrar: se para sair treinar / se exercitar é preciso atravessar a casa inteira procurando coisas e reorganizando o espaço, é muito provável que esse treino seja adiado.
Da mesma forma, se não existir um lugar confortável para ler, é certo que o livro permanecerá fechado.
Se trabalhamos em um ambiente desconfortável, podemos nos acostumar com a ideia de que trabalhar sempre será cansativo.
Se a casa e a sua rotina não estimula o encontro dos seus ocupantes, a tendência clara é de que cada um passe mais tempo no seu próprio canto.
Nenhuma dessas coisas, quando olhamos de forma isolada, parece muito significante. Mas são essas pequenas fricções repetidas todos os dias que podem causar um grande desgaste na estrutura como um todo.
E agora aproveito para aprofundar essa reflexão, pois existe algo ainda mais sutil: o ambiente também pode influenciar aquilo que acreditamos ou não em ser possível para nós mesmos.
Uma casa que favorece o descanso, o movimento, a concentração, a convivência e a organização pode funcionar como um lembrete diário da vida que queremos construir. A vida fantástica que merecemos precisa ser lembrada todos os dias.
Mas atenção: não me refiro aqui ao fato de existir uma necessidade em criar uma casa perfeita. Nem de transformar arquitetura em uma ferramenta para produzir mais, trabalhar mais ou estar constantemente em alta performance.
Essa reflexão busca justamente o contrário: Arquitetura de Performance é criar ambientes que facilitem uma vida de maior qualidade. Performance não deveria significar fazer mais, no estilo workaholic... mas sim, de se tornar mais produtivo, rendendo mais em menos tempo. Fazendo esforço no momento certo e com economia de energia. A Arquitetura de Performance busca justamente aquilo que todos pensam ser "improdutivo": qualidade de vida de forma eficiente.
Agora, te faço uma pergunta: O ambiente em que você vive está sustentando e encaminhando a vida que você deseja ou está, silenciosamente, fazendo você desejar menos?




